Certificação de Creches e Jardins de Infância em Educação Positivas

20.10.17


Temos estado em contacto com cada vez mais instituições que têm as valências de Creches e Jardins de Infância e estamos a dar a conhecer a certificação que desenvolvemos ao longo deste ano. O nosso objectivo é, claramente, ajudar os profissionais a adquirirem melhores competências para o desenvolvimento do seu trabalho junto das crianças e famílias.

Esta certificação surge da experiência que fomos adquirindo ao longo dos últimos anos de trabalho com escolas e associações de pais que nos manifestaram as necessidades e as competências que são urgentes adquirir.

Ao longo dos últimos 15 anos tenho dado muita formação e a experiência ensinou-me que a formação pode ser um processo incrível de melhoria contínua... ou não. Trabalhei com muitas empresas e instituições que apostam na formação pontual. Hoje dão uma formação e dali a 3 anos voltam a falar connosco para lá voltarmos porque estão a precisar. E embora saiba que nem sempre é fácil encontrar tempo para não executar trabalho e formar, também sei que formações pontuais raramente contribuem para a mudança efectiva dos profissionais.


É por isso que surge esta certificação. O programa que construímos é simples e, por isso mesmo, revolucionário porque se quer próximo. Em linhas gerais, o que nos propomos a fazer é:


1) Formação mínima anual de 12 horas a todos os Colaboradores que trabalhem diretamente com as crianças da instituição. Todos os outros são, naturalmente, bem-vindos;

2) Acompanhamento mensal: a partir do momento em que uma instituição adira ao programa, mensalmente participarão nas sessões de coaching e aconselhamento. 1 hora por mês, todos os meses, de forma gratuita e à distância. Não queremos que nenhuma questão ou dúvida fique por responder. E sabemos que este acompanhamento é determinante para a mudança.

3) A certificação é atribuída anualmente por forma a garantir a melhoria contínua, através da formação contínua.

4) Incitamos e apoiamos cada instituição que adira à nossa Certificação a desenvolver ações de formação e informação para pais. Sabemos que os melhores resultados são obtidos neste apoio mútuo. E sabemos que pais que vêem instituições a apostar desta forma na sua equipa sabem que os seus filhos serão os que mais beneficiarão. É uma aposta ganha!


A Escola da Parentalidade e Educação Positivas tem como missão levar mais felicidade a todas as famílias, a todas as escola e a todas as instituições que trabalhem ou lidem – direta ou indiretamente – com crianças, jovens e famílias.Porquê? Porque sabemos que a nossa vida tem ainda maior significado quando criamos laços feitos de afeto.O nosso objectivo é muito claro: sermos a referência, em Portugal e nos países de expressão portuguesa, para o estudo e para a formação em Parentalidade e Educação Positivas.

O nosso lema? A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo... e essa é a nossa mão.

Mais infos: aqui ou via cursos@parentalidadepositiva.com

NOVAS SESSÕES DE COACHING & ACONSELHAMENTO PARENTAL : PORTO

20.10.17
Dias 16 e 30 de Novembro vou estar no DBarriga com sessões de Coaching e Aconselhamento Parental.



Para informações e marcações podem contactar-nos via:
cursos@parentalidadepositiva.com
+351 93 904 30 78

Dia Mundial do combate ao Bullying: Sobre o agressor

20.10.17
Hoje é o dia mundial do combate ao bullying. Bullying define-se como uma ação de agressão (verbal, física, online) que tem como objectivo causar dano e é feita de forma continuada.

Todos nós já fomos agredidos de alguma forma e isso não tem de ser visto como bullying. O bullying é intencional e continuado.

Muito se fala sobre a vítima. Já neste blogue escrevi acerca de estratégias para se ajudar os miúdos a defenderem-se e a afirmarem-se. Mas a verdade é que pouco se fala sobre o agressor.

O agressor é, por sistema, alguém que, para se sentir forte, tem de diminuir o outro. Na verdade não é o mais forte. Com frequência, ele próprio é vítima de agressão por parte de outros - em casa, noutro grupo de amigos ou já foi vítima de bullying escolar, numa outra altura. O que prova que, ao contrário do que se possa à primeira vista pensar, é também um elo fraco.

E é urgente falar-se e revelar-se o perfil do agressor. Com muita frequência colocamos a nota na vítima. Mas precisamos de dizer e dar a conhecer o perfil deste. Para que todos saibam o que está por trás de tanta agressividade: uma dor e uma fraqueza e assim possamos olhar para ele de outra forma. Não é nele que reside o poder mas antes uma enorme vulnerabilidade. E quando ele souber que é igualmente vulnerável, talvez possa conseguir parar a agressão.







Da empatia... ou da falta dela.

17.10.17
Portugal está triste,  revoltado e desapontado.
Depois de ter escutado muitos dos discursos políticos, sinto que estamos, também, sós.

Faltou empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ainda há dias se escrevia sobre isso neste blogue. 

É certo que não foi o Governo a lançar os fogos. Mas é do Governo a competência em ter os recursos para nos proteger. É dele a responsabilidade de assegurar tudo isso. E se falha, então que, pelo menos, o discurso seja próximo e humano. Não frio nem distante, como se a tragédia estivesse relacionada apenas, com o arder da mata. Homens e mulheres arderam, literalmente.

O Governo não é o nosso pai mas, porque votámos e contribuímos, esperamos que não nos falhe. E quando nos falha, que sinta que os seus (que o somos) perderam porque, em parte, falhou.

Empatia não é uma emoção. É uma competência.
Soube bem ouvir o nosso Presidente falar esta noite. Com sentido de Estado e responsabilidade política. Mais que isso: humanidade. Que me parece que é exatamente o que está a falhar.

Eu, que não vi uma única imagem na TV - apenas leio os jornais online e oiço a rádio - ouvi hoje um dos resumos que a TSF fez. O final da peça está bestialmente bem feito - tira-nos o chão, faz-nos parar no tempo e aquelas vozes ecoaram na minha cabeça o dia todo. Muito mais que todas as imagens que vi - porque eram vozes de gente em pânico, elas sim, sem chão e sem nada, a quem tudo foi roubado. Devia haver mais gente a escutá-la, por estes dias. Talvez assim, alguns deles, se conseguissem pôr, nem que fosse 'um poucochinho', no lugar dos outros, sem chavões políticos nem banalizações.


Quando é que eu sei que é a hora certa?

9.10.17




Quando é que eu sei que é a hora certa para deixar os meus filhos irem passar a noite a casa de um amigo?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer aquela tatuagem?
Quando é que eu sei que é a hora certa para a deixar fazer uma certa viagem?

Quando é que eu sei que é a hora certa para o mudar de escola?
Quando é que eu sei que é a hora certa para lhe dar um ipad/telefone/bicicleta?


Não sei... ou até sei. Quando conhecemos mesmo muito bem os nossos filhos somos capazes de adivinhar. Ou estar bem perto da resposta a essa questão.

Uma criança pode ir dormir a casa de outra aos 4 anos se sentir preparada, segura e o quiser. E os pais deixarem. O mesmo terá de acontecer connosco, pais - estarmos preparados para isso, sentirmo-nos confortáveis com a ideia (sem falar que sabemos bem quem são os adultos que vão ficar com os nossos filhos).

A minha filha de 8 anos foi este verão de férias para casa dos avós, em França. Sabíamos que estava pronta e que este voto de confiança e responsabilidade ia ao encontro do seu processo de crescimento e desenvolvimento. E por estarmos tão certos disto, a experiência foi vivida com imensa tranquilidade cá por casa. É certo que ao fim de 15 dias estávamos todos com saudades uns dos outros mas este sentimento é bom. Sabíamos que estava bem, a divertir-se e que o dia de regresso estava próximo.

O desejo de ir visitar os avós era grande. Quando lhe propusemos a viagem disse que sim cheia de entusiasmo. Em nenhum momento recuou na ideia. Tivemos, então, a certeza que era a hora certa, para ela. E o 'para ela' está sublinhado porque há uma história e uma vivência específica que permitiu que isto acontecesse.

O mais curioso foram as perguntas que vieram de fora, colocadas por adultos:
'E não tiveste medo? Eu, quando vou viajar de avião tenho sempre imenso medo. Se pudesse, não o faria.'

E se é verdade que o facto de uma miúda de 8 anos poder viajar sozinha pode suscitar alguma curiosidade, a verdade também é que os comentários acima têm um efeito que pode ser perigoso:

- criar  um medo onde ele nunca existiu;
- enaltecer uma suposta coragem que, neste caso, era visto como uma normalidade. 'Porque razão é precisa coragem para ir visitar os meus avós? Será que há algum perigo? E se sim, onde é que ele está?'

Bem sei que a intenção não era esta. Ainda assim, desejaria que pudéssemos estar mais atentos ao que dizemos. Mostrarmos interesse e curiosidade pode passar por colocar questões que revelem isso mesmo 'Uau, nunca viajei sozinha com a tua idade - conta como foi? O que é que acontece no aeroporto? '15 dias sem os pais - como é que foi?'
Induzir um medo onde ele não existe é que não.

A hora certa não existe nos livros. A hora certa é a de cada criança e, para isso, bastará estarmos atentos. No nosso caso, o facto de lhe termos proposto a viagem também faz parte do processo do nosso crescimento enquanto pais mas também da nossa necessidade em lhe darmos o que ela precisa, a cada passo do caminho. Há dias em que a visão não é tão clara assim. Mas há outros em que é. É estar atento.


5 livros sobre as emoções e 3 dicas fundamentais para as emoções à flor da pele...

4.10.17



Há  dias em que a intensidade das emoções pode ser difícil de lidar e são várias as formas que podemos usar para ajudar os miúdos a gerirem esse mundo que pode ser muito turbulento.


CHAMAR NOMES

Uma das estratégias é dar um nome ao que sentimos.

Imagina que o teu filho concorre a delegado de turma e não ganha. É natural que fique triste.

Imagina que o teu filho andou o ano todo a treinar para um campeonato de ténis e não vai além dos quartos de final. Fica desapontado, frustrado ou até envergonhado.



A nossa tendência natural é dizer-lhe

‘Deixa lá, não faz mal, para o ano vais ver que consegues.’

‘Não fiques assim, é a vida.’



Mas ele tem todo o direito de se sentir da forma como se está a sentir porque é, efectivamente muito difícil de lidar com tudo isso. Desvalorizar não é a resposta.


A melhor resposta talvez esteja em algo próximo do:


‘Estás tão triste por não ter ganho, vê-se na tua cara. Está a ser difícil lidar com isso, não está?’

‘Estás tão desanimado por não teres conseguido passar dos quartos de final… treinaste tanto e sentes que é injusto este desfecho, é assim?’



Se podemos dizer ‘não faz mal’, logo a seguir? Poder podemos mas a verdade é que naquele momento até faz. E pode fazer muito mal. Então se o teu filho se está a sentir assim não lhe digas isso.


No livro Crianças Felizes podes encontrar, no 3º capítulo, mais sobre gestão das emoções e resiliência. Se queres saber mais sobre o assunto podes sempre inscrever-te numa das nossas ações.


CONTAR HISTÓRIAS

Para que nada te falte, deixamos uma lista de livros que podes usar para falar sobre emoções. Estes livros foram referenciados pelos nossos alunos da Pós-Graduação. Vale a pensa dares uma vista de olhos e levares alguns aí para casa:

Emoções e sentimentos ilustrados, de Paulo Moreira;
O monstro das cores, de Anna Llenas
A zebra Camilla, de Óscar Villán e Marisa Núñez
Orelhas de Borboleta, de Luísa Aguilar, ilustração André Neves
As mãos não são para bater, Martine Agassi

 


Mas também podes aproveitar outros livros e, sem forçar, realçar a importância de certas emoções, valores e comportamentos. Sugiro ainda que fales sobre ti e sobre como também tens momentos em que nem sempre é fácil gerir o que vai aí dentro.



TODO OUVIDOS

Ao mesmo tempo, devemos poder oferecer aos nossos filhos tempo de escuta à séria. Escutar apenas porque sim - aceitando o outro naquilo que ele é, mesmo no pior. E é mais fácil dizer isto do que fazê-lo. No outro dia uma amiga contava-me que a forma como os pais aceitaram as suas escolhas pessoais foi tão importante porque a ajudou a ser mais forte perante os outros. E hoje sabe que não foi nada fácil para eles e admira-os ainda mais por isso: por terem sido capazes de estarem junto a ela, mesmo nos momentos mais feios.




O poder da empatia

3.10.17

Empatia, uma competência - e não uma emoção -  define-se pela capacidade que temos em colocar-nos no lugar do outro. Não tem nada a ver com simpatia, não tem absolutamente nada a ver com ‘ir com a cara do outro’.

Empatia pode ser, nas palavras do Diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Doutor José Caldas de Almeida, uma espécie de compreensão do outro, conseguindo-se colocar na sua pele, recorrendo ao conhecimento que temos de nós próprios.

Eu não tenho de ter vivido num país de guerra para conseguir perceber o terror, a angústia e a ansiedade que se poderá ali viver. Na verdade, alguma vez na minha vida já me poderei ter sentido assim. Em casa, e com o meu filho adolescente, pode ser mais fácil compreender que ele bata com porta e recordar que quando eu fui adolescente também tive aquele comportamento em algum momento. Isso ajuda-me a não aceitar o comportamento que considero desadequado mas a aceitar o meu filho e tudo aquilo que é ser-se adolescente. Ou um pequeno de 4 anos que ainda está em desenvolvimento.

Ser empático, como disse, não é concordar nem ser simpático. Ser empático passa, entre outras coisas, por ser capaz de escutar o outro, acolhendo aquilo que tem para nos contar, convidando-o a sentir-se seguro junto de nós e a continuar a partilhar. E isso só é possível quando escutamos ativamente. Nas Pós-Graduações que temos desenvolvido apostamos no desenvolvimento desta capacidade de escuta que é tantas vezes negligenciada e pouco trabalhada. Acreditamos todos que sabemos escutar. Infelizmente, a verdade é outra. Sabemos ouvir. Escutar é algo mais profundo e que vai à procura das verdadeiras motivações, entrando no quadro de referência do outro. Não há certo ou errados, há motivações. E só quando conseguimos alcançar este nível de entendimento - ao qual se junta a empatia - estamos mais próximos de ajudar o outro. É que esta ajuda passa, por vezes, pelo simples facto de ajudar o outro a sentir-se importante e com valor. É mesmo assim tão simples e tão grandioso, ao mesmo tempo.


A questão é:
1) de que forma é que temos, verdadeiramente, escutado as pessoas à nossa volta?
2) de que forma conseguimos criar silêncio à nossa volta e em nós para escutarmos, sem filtros e com a máxima atenção o que nos contam?



Nem sempre é fácil. Mas sei que o treino tornam estas competências - escutar e a empatia - em algo mais natural e mais simples. É só começar.


Parentalidade positiva não é sobre filhos

28.9.17
Who's the boss?

"A Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas é um turbilhão de emoções e sentimentos. Achamos que vamos para  aprender a lidar com os nossos filhos mas acima de tudo vamos ali aprender a conhecer-nos, a questionar premissas e com uma enorme vontade de mudar.
Mudar. Sermos melhores seres humanos: em casa, no trabalho, na vida.

Parentalidade positiva não é sobre filhos. É sobre pais. E a partir do momento que sabemos quem somos e para onde queremos ir, tudo muda.

E os nossos filhos sabem/sentem essa mudança, que se reflete neles."


Isabel Almeida
Filha única a aprender a ser mãe de dois

Próxima edição: FUNCHAL 

Sabes o que é que está na origem deste blogue?

27.9.17

A propósito de uma conversa que tive ontem com uma amiga, dei por mim a  navegar no blogue, nas publicações do meu facebook pessoal e até nos emails. A ideia era identificar em que altura é que ela tinha participado num dos primeiros cursos que dei em Parentalidade Positiva e situar o nascimento do blogue e das primeiras publicações ainda no meu facebook pessoal. Tinhamos uma ideia - o filho ainda não tinha 2 anos e ela estava a terminar a especialidade.

Foi na Avenida da Boavista e era ao final do dia, início do ano. 2011. A turma era incrível - malta muito interessada, vinda enquanto profissionais e também mães, e tão disponíveis para aprender mais sobre Felicidade. Esse era o tema principal: A Arte e a Ciência de Educar Crianças Felizes. Aqui fica o programa de uma das edições que fizemos. Esta era a capa da divulgação, imagem retirada de um banco de imagens (ainda não havia o pinterest, ou pelo menos não conhecia).






É por isso que a grande missão da Escola da Parentalidade Positiva tem por base uma crença muito forte. Acreditamos que todos podemos e merecemos construir relações com grande significado e valor com todos, especialmente em família. Educar para a felicidade é o mote.

Mas foi por causa deste post que, em Abril, decidi criar oficialmente o Mum's the boss. Primeiro foi blogspot, depois .com


Mas o meu interesse pela parentalidade surge antes - numa intervenção, na Figueira da Foz, para líderes e gestores de equipa de uma empresa portuguesa com mais de 200 trabalhadores. Nesta intervenção de longa duração - que incluía formação e coaching - dei por mim a questionar-me como é que este grupo de pessoas tinha resultado no que era, naquele momento. Tinha grupos muito diferentes - mas muitos com um foco externo, ou seja, não se sentiam nunca responsáveis por aquilo que lhes acontecia na vida. Era tudo fruto de circunstâncias (que tiveram ou não tiveram), culpa de outros e pouco ou nada sentiam que podiam fazer. Fiquei assustada pela forma como olhavam para o mundo. Perguntei-me se não teriam tido tido um adulto (ou vários) capazes de os ensinar a olhar para as circunstâncias de uma forma mais positiva.

Foi nesse momento - estaríamos em 2007? - que quis saber mais sobre o assunto. Como membro certificado em Inteligência Emocional pela 6seconds desde 2005, decidi passar a frequentar mais os grupos ligados à Education e passei a reflectir, estudar, ler e publicar sobre o tema. Fiz formação com a Jane Nelsen, estudei tudo o que estava disponível sobre inteligência emocional, e passei a fazer parte de vários grupos sobre o tema. Estava rendida e completamente apaixonada. Pelo meio tive uma loja online de produtos para famílias e comecei as entrevistas que depois acabaram por ser assimiladas pelo blogue. 

O primeiro curso chamou-se A Arte e a Ciência de Educar Crianças Felizes e tinha um manual muito maneirinha. Falámos sobre Felicidade, sobre o desenvolvimento do cérebro, sobre o poder da comunicação e sobre autorregulação. Basicamente, tudo aquilo que me inspira, gosto e sei!

É muito giro fazer este flashback e ver tudo aquilo que já se fez. Pelo meio houve o projeto Fazer Acontecer, o da Generosidade [nesta imagem], o Berra-me Baixo, o Calendário do Advento, as formações à distância, palestras, dois livros, outro material criado para outra entidades e mais trabalho desenvolvidos em Escolas, com associações de pais. Tanto que a vida me tem proporcionado que só posso agradecer!

Tem sido uma jornada incrível! Que bom recordar tudo isto!!



À procura do material [escolar] perdido

21.9.17
Sempre gostei de arrumação, coisas organizadas e essa é uma área que procuro desenvolver diariamente... embora esteja a anos-luz de a alcançar. Leio com frequência livros e artigos sobre o tema da organização, destralhamento e sigo blogs e são, realmente, uma grande inspiração, mantendo-me focada.
Conheci a Rita numa palestra que ministrei numa escola e começámos a falar sobre este tema. 
Partilho contigo um método para organizarmos o material escolar dos miúdos, ajudando-os a tornarem-se mais responsáveis por ele. Ora lê. É mesmo interessante e simples!

Bom ano escolar!


ORGANIZA O MATERIAL ESCOLAR À BOA MANEIRA JAPONESA!

Entramos no ritual do regresso às aulas e dá-se início à azáfama das preparações, à corrida pelo desconto e à busca em vão por aquele quadro branco pedido pelo professor, feitos Indiana Jones numa senda pelo Santo Graal enquanto vociferamos contra tamanho pedido insano passível da nossa mais veemente indignação e objecto de muitos e saudáveis impropérios ditos a voz baixa por esses corredores de supermercado, apropriadamente intitulados nesta altura “corredores do desespero”.


Num surreal turbilhão de actividades típico de Setembro, encapam-se livros, marcam-se canetas, lápis, réguas, estojos, pastas enquanto nos nossos lábios são proferidas várias “rezas” para que este mesmo material imaculado consiga chegar intacto pelo menos ao final da primeira semana. Pelo menos.


Cena familiar, não é verdade? Quase sem querer nós pais vemo-nos revestidos deste papel de revisor de material e inspector da régua. E neste acto de altruísmo (mais um) deixamos de parte a noção tresloucada de que o nosso filho, aquele ser maravilhoso em que depositamos tanta esperança que conseguiu completar 2 níveis de uma assentada só no último jogo do “The Legend of Zelda: Breath of the Wild” (sim, sou um pouco para o nerd) é realmente capaz de organizar o seu próprio material.



O Sistema Kanban e o material escolar


“Como?” perguntam vocês. “Esta agora pirou de vez!” diriam outros. “Mas esse jogo compra-se aonde?” diriam os mais nerds. A esse propósito, venho propor-vos um sistema que vem da terra do sol nascente. Chama-se sistema Kanban, literlamente, sistema de cartões. Na indústria japonesa serve para controlar as quantidades de produto final a produzir e de matéria-prima necessária, sem haver nem a mais nem a menos, imperativo da filosofia organizacional nipónica e do just-in-time (link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Just_in_time). Em nossas casas vai servir para controlar as entradas e saídas de material escolar.


Comecemos com um suporte físico! Lembrem-se que tem de ser uma resposta adequada para o que fica em casa: canetas, lápis, etiquetas, réguas. Tudo o que sobrou depois de se ter preenchido estojos e pastas que vão para a escola. Temos vários exemplos no mercado, mas o conjunto de gavetas de ferragens é, a meu ver, o melhor suporte. Escolhe uma gaveta para cada categoria e coloca uma etiqueta identificativa.


Agora precisamos de um processo para fazer uma manutenção correcta do material. A premissa deste processo é dar autonomia aos seus utilizadores, ou seja, passar uma boa parte da responsabilidade pela manutenção do material aos filhos. Assim, irão adquirir competências e começar a lidar com pequenas responsabilidades o que é sempre almejável desde que adequado à idade.




Como criar um Kanban?

Vamos então criar um Kanban para cada gaveta. No âmbito industrial, estes pequenos cartões têm um código de produção que identifica a matéria-prima, a quantidade mínima desse item que deverá constar em stock e outras indicações de controle. Estes cartões são colocados fisicamente nos lotes de matéria-prima num ponto estratégico. Mal se chegue a esse ponto, o encarregado trata de actualizar a informação no cartão e proceder à encomenda.


Nesse cartão poderão constar algumas informações importantes:

-nome do item ou categoria (lápis, caneta, régua, etc);

-data de última compra;

-quantidade actual/ideal (actual - a que está na gaveta; ideal - a que tem de estar na gaveta, sempre);

-data de última revisão (actualização de quantidades);

-nome de quem fez essa revisão.



Cada gaveta terá assim o seu cartão. Sempre que for retirado um item quem o fizer terá de actualizar a quantidade actual e colocar nome e data. Sempre que a quantidade actual for inferior à quantidade ideal ou estiver perto disso, tem de o assinalar com um círculo à volta do número de quantidade actual e deixar o cartão na parte de baixo da gaveta de fora. Dessa forma, quem tiver que fazer uma lista de compras semanal ou mensal conseguirá rapidamente fazer uma avaliação do material em falta. Bastará pegar nos cartões que estão fora das gavetas e ir ao supermercado comprar o que está em falta.

Poderá parecer um sistema impraticável para a miudagem, mas na verdade é bem aceite e acaba por se tornar num jogo para eles.
Para além disso, em vez de ficarem dependentes da disponibilidade dos pais, podem tomar o assunto nas suas mãos e com uma simples anotação, a responsabilidade acaba por passar em parte para eles. Pode sempre recompensar os melhores “técnicos” com pequenas surpresas ao final da semana e reforçar positivamente o esforço deles em manter o material escolar em bom estado.

RITA ACCARPIO | PROFESSIONAL ORGANIZER
rita.accarpio@organiguru.com
http://organiguru.com/

Será que estas também são as tuas duas fontes de stress aí em casa?

20.9.17
A sessão de Coaching e Aconselhamento desta manhã estava a aproximar-se do final quando esta mãe ganhou coragem e, entre algum receio e alívio, confessa aquilo que a desgasta mais neste momento:
- A relação com o marido;
- Os conflitos entre os dois filhos.

"As birras, os choros e as inseguranças de cada um deles é fácil de lidar", dizia ela. Mas não estar em sintonia com o marido - que a considera uma mãe atenciosa mas frequentemente permissiva - e as guerras entre os seus dois filhos têm-lhe dado muita vontade de atirar com a toalha ao chão e partir... uns dias!

A forma como lidamos com os conflitos tem muito da nossa história pessoal e influencia, obrigatoriamente, a forma como respondemos a esses mesmos conflitos. E até na forma como estamos a orientar os nossos próprios filhos em relação aos mesmos.

Se eu não gosto de guerras, de discutir de forma mais animada ou se tenho receio de não estar à altura para defender as minhas convicções, terei dificuldade em ensinar essas competências aos meus filhos. Simultaneamente, terei dificuldade em conseguir que o meu marido olhe para a forma como atuo não como uma fraqueza mas como um estilo parental e com a filosofia que abracei (a menos que seja mesmo mais permissiva e aí está talvez na hora de me questionar porque é que o sou).

Vale a pena analisar este ponto - quem somos em relação ao conflito e se somos diferentes com certas pessoas ou situações. E depois colocar a seguinte questão: O que é que me impede de ser quem desejo ser?

E foi com esta questão que desbloqueamos os receios em relação ao conflito desta mãe e entramos na parte da co-criação de uma nova realidade.

Conheces a melhor forma de ajudar os teus filhos a serem emocionalmente inteligentes?

13.9.17
O que é que nós, pais e educadores, podemos fazer para ajudar as nossas crianças a serem emocionalmente mais inteligentes?

É verdade que podemos ler imensos livros sobre o assunto, estudar inteligência emocional mas o grande segredo está em sermos boas pessoas. Só isso e isto já é bastante. O que acontece é que qualquer criança aprende por ver fazer. E aprende como?

Aprende porque cada um de nós tem, no cérebro, neurónios espelho que nos fazem olhar para o outro e copiar e imitar. Tenho de adoptar o ponto de vista do outro e fazer igual. Espreita este vídeo porque é mesmo incrível!

Daí que o mais simples, fácil e rápido para ajudarmos os nossos filhos a serem emocionalmente mais inteligentes é mesmo sermos boas pessoas...

A questão agora é: como é que fazemos para sermos essas boas pessoas? Como tratamos das nossas necessidades? Como é que nos melhoramos enquanto pessoas? Como é que fazemos as nossas escolhas? Esta é a nossa responsabilidade se queremos que os nossos filhos nos imitem :)

video


A nossa Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas tem uma grande base de desenvolvimento da Inteligência Emocional.

Antes das aulas começarem, não deixes de ler este post!

10.9.17
Nesta conversa falámos sobre a angústia dos pais nos primeiros dias de aulas, conversámos também sobre se vale a pena ou não rever as matérias antes do início do ano letivo e porque é que é tão importante voltarmos às rotinas antes das rotinas começarem mesmo a sério!

Feliz ano!

Como são as pessoas assertivas?

7.9.17
Foto Pinterest

Em tempos escrevi que ser-se assertivo é um ato de coragem e que faz parte de um processo pessoal e de uma decisão - por vezes solitária - de melhoria contínua.

Na nossa relação com as crianças e jovens (e também com os demais) a assertividade convida-nos a ter um discurso claro, objectivo, sem subentendidos nem manipulações. Por isso é corajoso porque não sugere - afirma-se - com tudo aquilo que isso possa implicar. E é justo porque não entra em jogos de poder onde imponho a minha lei ou a minha força.

Na 3ª Feira estive no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Lisboa a falar sobre estratégias da comunicação assertiva e positiva.

Nesta ação - que envolveu os três colégios: Lisboa, Fátima e Porto - e juntou mais de 30 profissionais, fica clara a aposta da direção nos seus colaboradores e no desenvolvimento de cada um. A relação que estabelecemos uns com os outros vive da forma como comunicamos.

E porque é que a assertividade é tão importante? Quando somos pessoas assertivas reunimos uma série de características:

Somos pessoas coerentes, justas, confiáveis e simbolizamos a segurança que todas as crianças necessitam sentir nas suas vidas.

Quando comunicamos de forma assertiva estamos a ensinar o outro a autorizar-se a fazer igual, mesmo que isso possa levar o seu tempo.

E quando comunicamos de forma assertiva, protegemos os nossos limites, não invadindo os dos outros. Talvez por isso se diga que comunicar é uma arte porque se faz num equilíbrio das nossas necessidades e convicções, sem ferir nem agredir o outro. Alguns de nós nascemos com mais ou menos capacidades em sermos claros e assertivos mas esta é uma competência que se aprende e que se treina.

Dizem que comportamento gera comportamento e a sugestão deixada no final desta ação vale a pena a reflexão e a ousadia - sermos nós a mudança que queremos ver no mundo e surpreendermos o outro com a nossa própria transformação.


A Escola da Parentalidade criou a Certificação de Creches e Jardins de Infância em Educação Positivas. Esta certificação tem como claro objectivo atribuir competências nas áreas da Educação Positiva, da gestão e mediação de conflitos entre alunos, na comunicação positiva e inteligência emocional, entre outras valências.
Pede-nos mais informações através do cursos@parentalidadepositiva.com

O que tem de especial a nova revista?

6.9.17



Tem novos artigos escritos por especialistas em cada uma das áreas; tem novas parcerias e novas ideias. E tem uma nova cara. Está mais séria, profissional e o nosso compromisso é muito claro: ser a referência, em Portugal, para os temas da Parentalidade e Educação Positiva. E por isso apostamos na nossa melhoria contínua, sempre!

Descarrega-a aqui e partilha! 

E imprime este horário escolar que fizemos para este regresso às aulas!

EDITORIAL
Ask Mum
Notícias avulso

ESPECIAL REGRESSO ÀS AULAS
Guia prático: regresso às aulas sem stress, por Isabel Pina
Melhorar a forma como se estuda: conselhos de uma professora, por Isabel Silva
Terapia da fala: quando consultar, por Catarina Rios
Desporto e emoção - uma equação de sucesso, por Joana Serpa Santos
Por uma cultura de paz - a mediação escolar, por Joana Zino
Check list para um regresso às aulas sem falhas, por Joana Melo
A entrada na creche e no jardim de infância, com Sónia Fialho, Marília Pereira, Marisa Feliciano e Cláudia Tavares
Criando memórias felizes: técnicas de fotografias para famílias, por Sara Reis Gomes

FORA DE CONTEXTO
Como criar vínculo com crianças e jovens abandonados, por Maria Emanuel Moreira

Design: Sofia Mota

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