As 3 ferramentas a serem adquiridas pelos profissionais que trabalham com famílias.

21.4.17

O conceito de família mudou.
As próprias pessoas mudaram e as exigências do sistema tornaram-se cada vez maiores e mais burocráticas. Quando falo com profissionais da área da família, percebo que em alguns casos há pouco tempo para fazer bem, quanto mais, melhor. Mas mesmo sendo difícil, acompanho e trabalho com cada vez mais homens e mulheres que querem, ainda assim, continuar a fazer o melhor que sabem e podem, pelas famílias.
Há ferramentas que nos ajudam a otimizar o nosso trabalho. Na Escola da Parentalidade temos 5 pilares fundamentais e essas 3 ferramentas que nos ajudam a ir mais longe.
Os pilares - que são sempre apresentados nas formações que desenvolvemos são
1. O respeito mútuo
2. O vínculo
3. A parentalidade pró-ativa
4. A liderança empática
5. Educar sem punir

Hoje vamos ver, com um maior destaque como é que podemos ajudar as famílias, usando as 3 ferramentas que temos ao nosso dispor. E quais são elas?

Inteligência Emocional
Há várias definições mas de uma forma resumida é a nossa capacidade em identificarmos as nossas emoções, bem como as dos outros e, a partir daí, sermos capazes de dar a resposta mais adequada à situação. Quando conseguimos identificar essas emoções, conseguimos escolher os nossos comportamentos e fazer a tal gestão emocional de que tanto se fala.
Porque é que isto é importante para nós, que trabalhamos com famílias?
Porque quando aumentamos a nossa literacia emocional percebemos que embora as nossas emoções não seja escolhidas por nós, nós não somos aquilo que sentimos e podemos sair do estado em que estamos para outro. E estas competências podemos ensinar a outros, com quem trabalhamos e lidamos diariamente.
Uma mãe que tem um filho desafiante e um marido 'à moda antiga', pode beneficiar que as emoções dela sejam identificadas por um técnico. 'Está com um ar cansado e desanimado.'
Existem uma série de técnicas que podemos utilizar no sentido de ajudar esta mulher a começar a passar de um estado de desânimo para um de maior capacitação. E esta é uma das primeiras.

Linguagem Positiva
Ao contrário daquilo que possas pensar, a linguagem positiva não é dizer-se sempre que sim. A linguagem positiva tem a ver com a criação de possibilidades e novos caminhos. Quando sabemos utilizar bem esta ferramenta, estamos em condições de ajudar o outro a ver melhor esse caminho. Queres um exemplo? Imagina uma mãe que diz que quer deixar de gritar com o filho. Na verdade, talvez esta não seja a melhor forma de olhar para a questão porque a foca num só aspecto: o gritar. Podemos reformular a questão e dizer-lhe algo como:
'Estou a ver que o gritar a deixa insatisfeita na sua relação com os seus filhos e isso deixa-a triste e zangada consigo. O que a Ana gostaria mesmo era de ter uma relação com maior significado e mais serena, é isso?'
Este reformular da questão abre muitas novas possibilidades.
Passamos de um objectivo que era "Deixar de gritar" para outro muito mais amplo (e positivo) que é "Ter uma relação com maior significado com os filhos."

A Arte das perguntas
A arte das perguntas está diretamente ligada aos pontos anteriores. Primeiro, porque precisamos de se emocionalmente inteligentes para sabermos colocar as melhores questões. E em segundo lugar porque precisamos de saber falar a língua positiva. A arte das questões é uma forma que temos de fazer o outro mergulhar no seu mundo interior e descobrir as suas razões e respostas - ainda que por vezes possam ter alguma dificuldade e possam precisar de apoio e ajuda.
Lembro-me de uma mãe que me dizia que não conseguia lidar mais com a falta de respeito do filho adolescente, que não sabia o que fazer dele.... Estava a sentir-se, claramente, cansada, triste e muito desesperada.
E então a questão que lhe coloquei e que encheram o rosto dela de esperança foi 'Não consegue ou não sabe?' Porque é natural não sabermos e termos dificuldade mas não torna a questão impossível. E é aqui que toda a parte de acompanhamento e aconselhamento das competências parentais tem início. E pode ser mágico!
Muito mágico, mesmo!

Próximas ações em competências parentais, no Porto (Junho) e em Lisboa, em Setembro.
Envie-nos o seu email para saber mais para cursos@parentalidadepositiva.com e enviaremos mais informações na próxima semana.

Pós-Graduação em Parentalidade Positiva - últimos lugares para a ação de Setembro. Mais infos via cursos@parentalidadepositiva.com ou aqui




Estaremos mesmo envolvidos na prevenção dos maus tratos da criança?

18.4.17



Podes ler o documento da Convenção dos Direitos das Crianças aqui. E podes ler um resumo aqui também.
Infelizmente, há ainda quem considere que estes direitos são apenas para as crianças que estão em zonas de conflito e perigo e que no nosso Portugal a maior parte está segura.
No entanto, um bom olhar à nossa realidade mostrar-nos-á que a verdade não é essa.
Há uns meses participei numa conferência onde, a dada altura se falou da proteção da criança dos maus tratos, sendo que maus tratos são negligência também. E uma das oradoras perguntava-nos o que faríamos se víssemos uma mãe a bater e a ameaçar um filho, num supermercado. Houve um silêncio na sala. Ninguém respondeu. E a oradora continuou e partilhou connosco o que tinha feito, uns meses antes quando esteve perante uma situação destas. De uma forma muito assertiva e corajosa, interpelou aquela mãe e disse-lhe:
'Claramente, vejo que a senhora está fora de si e sem capacidade para gerir esta situação. No entanto,  não posso deixar de ver que a senhora está a agredir este menor e, enquanto cidadã, não posso fechar os olhos e fingir que não vi. Caso a veja agredir novamente o seu filho - física ou de outra forma - chamarei o agente de autoridade que está agora a olhar para nós.'

Curiosamente, esse mesmo agente da autoridade não se manifestou nem se deu, possivelmente, conta, da agressão que tinha acabado de acontecer à sua frente. Será que todos teríamos tido esta mesma coragem? Será que para nós bater e gritar com uma criança não passa de educação?

Mas maus tratos não é apenas bater na criança ou ameaçá-la. É não lhe criar oportunidades, não tratar dela e ajudá-la a fazer da infância um lugar seguro. Vale a pena dar uma vista de olhos aos documentos que anexei. E uma pesquisa no google faz-nos compreender que há ainda muito caminho a percorrer e por isso é que Abril é um mês cheio de iniciativas que nos fazem lembrar que estamos todos implicados nesta missão de criarmos um lugar seguro para as nossas crianças.

Tu queres ver que me vou ter de chatear contigo? Afinal, de quem é a culpa?

7.4.17

   Foto Would You Mum

Gritamos e zangamo-nos com os miúdos porque nos falta a paciência, porque estamos cansados, porque não nos apetece brincar... mas eles insistem e volta a faltar-nos a paciência.

Ficamos tensas porque o nosso companheiro nos respondeu torto, porque percebemos que andamos tão no limite que nos esquecemos de pagar uma conta e vamos pagar juros.

Perdemos a paciência porque não descansamos o suficiente, andamos stressados, alimentamo-nos mal e nem nos lembramos quando é que foi a última vez que fizemos desporto.

Gritamos mais uma vez porque estamos fartos que os dois putos se peguem, porque não temos os momentos de sossego de que tanto precisamos.

E tudo isto não tem nada, mas absolutamente nada a ver com eles. É só connosco e com um enorme desequilíbrio nas nossas vidas. Só que, 'quem paga por tabela' são quase sempre eles.

E a culpa não é de ninguém, porque essa tem costas largas e morreu solteira. Mas a responsabilidade é toda nossa - e só a nós diz respeito assegurarmos o nosso descanso, a procura de estratégias para criarmos relações mais felizes e com maior significado. Nada disto está nas mãos dos miúdos, só em nós. Daí que o trabalho que realizo seja feito diretamente com os pais. No desenvolver deste meu projeto sei que a grande transformação é feita nos adultos.

Vale a pena reveres este vídeo da Jada Smith que reforça a ideia da responsabilidade da nossa felicidade.




Quando eles têm capacidade mas não chegam lá - Gestão do stress, das emoções e organização do trabalho na escola

6.4.17


A ideia é pioneira e simples: ajudar os alunos a lidarem com o stress, com as emoções e a organizarem o seu trabalho.

O Liceu Francês percebeu que os seus alunos tinham mais capacidade do que aquela que revelavam e que o stress e alguma desorganização pareciam estar a impedir que mostrassem tudo aquilo que tinham aprendido, nomeadamente na hora H - na dos exames e orais.

É verdade que nesta escola os professores são próximos dos alunos, a direcção da escola está sempre por perto mas o provérbio diz 'santos da casa não fazem milagres' - e neste caso uma intervenção de alguém que não é da escola e que não 'dá notas' revelou-se positiva.

Gerir o stress, as emoções e aprender técnicas para organizar e otimizar o trabalho não são competências que se possam apenas aprender na idade adulta, numa formação interna da empresa para quem trabalhamos. São ferramentas determinantes que podem fazer toda a diferença não só nos resultados escolares e académicos mas também nas relações com os pais, com os amigos e com os namorados e até no tipo de escolhas que fazemos.

Um ano depois deste projeto acontecer, os resultados ainda mantêm-se e saltam à vista. O Lancelot frisou que tudo o que aprendeu neste programa lhe foi ainda mais útil depois de ter terminado os estudos do secundário. Está agora no 1º ano [são 2!!]  de preparação para a entrada numa das mais importantes faculdades, em França, e sente que é fundamental equilibrar todas as diferentes esferas da sua vida, gerindo a enorme pressão e responsabilidade que tem. E parece estar a fazê-lo com alguma sabedoria. O Bernardo, que também concluiu o 12º ano em 2016, está a preparar a entrada numa outra faculdade em Paris. Tem pela frente 2 anos muito exigentes e só depois saberá se entrou ou não na faculdade que deseja. O Bernardo conseguiu entender e gerir a sua procrastinação da forma mais eficiente e tirou partido desta gestão do tempo. A Carmo, aluna de medicina no ICBAS sublinhou a importância geral do programa na vida académica e pessoal.

Este programa, todo em língua francesa, foi desenhado para dar resposta às necessidades dos alunos do liceu. Tem a duração de 4 semanas e, na primeira sessão, fez-se um levantamento do 'estado da nação'. No final desta primeira sessão garanto que os alunos levam já com ele estratégias práticas e com resultados imediatos - o meu objectivo é que possam verificar o que têm a ganhar. É verdade que o primeiro sentimento foi, em alguns casos, de apreensão; afinal de contas os alunos já têm tão pouco tempo, como é que vamos convencê-los a darem mais uma hora da sua semana? Mas a verdade é sairam positivamente surpreendidos no final da primeira sessão e pudemos criar uma relação de grande confiança - só assim era possível levar a cabo tantas pequenas transformações de elevado impacto.


Lancelot Didillion, aluno do Lycée Stanislas classe prépa HEC, Carmo Bragança, aluna de medicina no ICBAS, Bernardo Picão, aluno do Lycée Louis Le Grand, classe prépa scientifique


Começámos com o 12º ano e, no final do programa todos concordaram que o que deveria ser diferente era ter-se começado um ano antes, no 11º ano, no sentido de se otimizar os resultados. E foi isso mesmo que fizemos.

Depois de verificar os resultados, o Liceu Francês deciciu ir mais longe e realizamos, de seguida, uma  primeira intervenção ao nível dos profissionais [professores e educadores], levando a educação positiva a esta escola que, mais do que uma escola, se projeta claramente no futuro dos alunos. A formação dos alunos e dos profissionais é para continuar porque acreditamos que só a sua continuidade é que dará resultados mais duradouros.

Lancelot Didillion, Paulo Fernandes [Diretor-adjunto do licéu), Carmo Bragança, eu e Bernardo Picão




Podes ver o programa aqui: Praça - RTP



COACHING PARENTAL - PORTO - 27 ABRIL

5.4.17


As próximas sessões de coaching e aconselhamento Parental vão acontecer dia 27 de Abril, no Porto, no DBarriga.
Para marcar, contacta-nos diretamente via:
cursos@parentalidadepositiva.com

Competências Parentais no Algarve

4.4.17


Decidi voltar ao Algarve, que é uma terra que adoro, de gente boa e entusiasmada para estes temas.
E vou levar estes temas, já em Maio:

Educação Positiva 0-6 anos
26 Maio 
Ação desenhada para todos os que lidam com crianças: educadores, auxiliares, enfermeiros, médicos, terapeutas, entusiastas pelo tema.
Emissão de certificado de formação (que conta para horas de formação profissional)

Conflitos entre irmãos
26 Maio - final do dia
Este workshop de duas horas vai dar-nos estratégias práticas e imediatas para a gestão e resolução de conflitos.

A Questão da Autoridade e da Obediência
27 Maio manhã
O seu filho rebola os olhos, fica zangado consigo ou tem dificuldade em exercer a sua liderança com ele? Esta ação é para si!

A Auto-estima da Criança e do Adolescente
27 Maio tarde
Cada vez mais somos pais atentos à questão da auto-estima. Esta é uma ação que nos dará estratégias chave para que possamos ajudar os nossos filhos a crescerem mais seguros de si.

Vantagens nas inscrições até dia 15 Abril

As 4 dicas que faltavam para trabalhar o vínculo ... Cenfipe - Ciclo de Connferências [Ponte de Lima]

25.3.17






E porque o prometido é devido, e no seguimento do pitch em Ponte de Lima, aqui ficam os 4 pontos que necessitamos para trabalhar o vínculo, em família:

Autorregular-se
A autorregulação é a capacidade que tenho em fazer as melhores escolhas, usando a nossa energia para aquilo que é mesmo essencial. A propósito disto, convido-te a ler este texto sobre a questão polémico do gritar ou não gritar. Vale mesmo a pena ler!



Brincar
Alguns pais não gostam particularmente de brincar com os filhos e portanto vão incentivando a que brinquem sozinhos. É inegável que brincar é importante e brincar em conjunto também. Mas o que alguns de nós não sabemos é que podemos não brincar e ainda assim participar na brincadeira, estando apenas junto da criança, sem intervir na brincadeira e apenas admirando-a. Sem distrações. Estando apenas. 
E brincar também significa desconstruir tensões, situações e outras experiências menos positivas, com um toque de humor. 
É isto que nos aproxima.

Podes ler mais aqui.



Aceitar a natureza dos nossos filhos
Sem termos necessidade de colocar etiquetas. Ele é teimoso, inseguro, brincalhão, lindo ou feio. Podes considerar que ele possa ter todas essas características mas certamente não se encerra nelas. Esta semana estive com uma mãe que disse que o filho [adolescente] era isto, aquilo e mais aquilo em casa [só descrições negativas] e que fora de casa era X, Y e Z [só coisas boas]. Então não uses etiquetas porque - sobretudo quando são pequenos - vão acreditar que o são mesmo e não terão oportunidades de mudar. E isso seria uma grande pena. Procura aqui no blogue temas sobre a Auto-Estima da Criança e como podes caminhar nesse processo de aceitação e não 'etiquetação' :)
Quando aceitamos a natureza dos nossos filhos é aí que eles têm a capacidade de sossegarem e então de caminharem para a sua melhoria e florescimento.



Oferecer o teu tempo

O nosso amor é dado em forma de tempo – por isso usa-o da melhor forma e elimina as fontes que te fazem desperdiçar o teu tempo que é mesmo precioso.
Procura estar mesmo a sério com os teus filhos. Não digo sempre mas se lhes dizes que vais brincar com eles, não leves o telemóvel atrás.
Tempo de qualidade e de quantidade... porque nenhuma relação importante se aguenta com pouco mas bom. É necessário fazer-se a manutenção da relação. Pouco, bom e de forma regular, que é quem diz, todos os dias.

Continue a ler mais informações sobre este tema, clicando aqui e subscrevendo a newsletter.


Créditos fotos: Vanessa Germano | Would You Mum

Gritar ou não gritar : a questão da semana! Então podemos ou não podemos? :)

24.3.17





Tenho um livro que se chama Berra-me Baixo e um desafio de 4 semanas, com o mesmo nome, e que podes subscrever aqui, gratuitamente.

E a propósito deste tema algumas pessoas pediram-me para comentar o texto que Eduardo Sá escreveu esta semana para a Pais&Filhos, com quem colaboro.

Li o texto a correr e fiquei com a sensação de não ter entendido o objetivo ou a intenção. Voltei a lê-lo com maior atenção e fiquei com mix feelings.

E volto a escrever sobre o tema porque o  gritar - ou o não gritar - gera alguma polémica ou pontos de vista diferentes. Vai depender do poder de oratória de cada um e do exercício de retórica que se pretenda fazer.

Vamos por partes.

Quem leu o Berra-me Baixo fica a saber, logo nas primeiras páginas que o objectivo não é deixarmos de gritar com os nossos filhos. Na verdade, a questão do gritar com os filhos, a questão da palmada não é questão para muitos educadores. Grita-se, 'tira-se o pó' sempre que se considera necessário e cá somos felizes à nossa maneira. Mas para quem tudo isto não é 'modo de vida' e de educar, vale a pena olhar para outras propostas.
Quem leu o livro sabe que o grande objetivo, ao longo das 4 semanas, é podermos criar relações com maior significado e valor com os nossos filhos. Afinal de contas, ninguém tem filhos para se andar a zangar, gritar, desentender-se, sistematicamente. Se tudo isto faz parte da dinâmica de qualquer relação - e que nenhuma relação está isenta de conflito - não deixa de ser verdade também que nenhuma relação saudável e feliz se faz quando a tensão é o prato do dia.
Contudo, há pais para quem estar sempre a gritar não é opção e não se querem ver nesse papel. [E atenção que este 'estar sempre a gritar' é subjectivo.]. Há cada vez mais pais que desejam ter relações de afeto e que desejam ser pais mais equilibrados. Não escrevi 'pais perfeitos'. Os pais não se querem perfeitos e antes em 'melhoria contínua'. E por equilibrados não quero dizer arrancados de alma e coração no que fazem, nem de paixão. São pessoas que, na sua vida, procuram apenas uma maior contenção porque desejam criar uma dinâmica de respeito com os filhos [e até com os outros], sendo que o gritar é um desrespeito até para consigo próprios.
Por outro lado, no mesmo livro, pergunto-te, em jeito de provocação se agora já não podemos berrar com os nossos filhos. E com esta questão pretendo esclarecer a diferença entre berrar e chamar à atenção, corrigir, orientar e até o famoso ralhar. Quem é que te disse que para fazeres tudo isso precisas de gritar? É que não precisas! E se perguntares como é que as crianças ficam quando os pais lhe gritam, algumas delas irão responder que ficam nervosas e incapazes de ouvir o que lhe dizem, bloqueadas com medo algumas vezes. Era essa a tua intenção? Não, pois não? [podes ler mais aqui sobre castigos e palmadas - convite à reflexão]

A grande maioria das vezes os pais dizem-me abertamente que quando gritam o fazem por hábito, cansaço ou quando se sentem fartos de repetir as coisas aos miúdos. Já reparaste que todos estes motivos nos dizem respeito e nada têm a ver com os miúdos:
O nosso hábito em gritar.
O nosso cansaço.
A nossa incapacidade em sermos assertivos.


Vale a pena não misturar as coisas: gritar, corrigir, orientar ou chamar à atenção. Se tudo isto pode ser feito sem gritos? Sim, pode. Algumas vezes não vamos conseguir e a vida é mesmo assim. Mas que o nosso objectivo não seja nunca esse - o deixar de gritar.
O nosso objectivo poderá [deverá?] ser sempre mais alargado que esse - o de construir relações com maior significado, com base num vínculo seguro onde o adulto dá o mote e mostra o caminho. Com maior ou menor poder de oratória.



Uma ação só para pais [homens!] em Parentalidade Positiva!

16.3.17



'Magda, sabes uma coisa? Devias era fazer uma formação SÓ para pais.'
E não é que aconteceu?! E juntou 20 pais ao pequeno-almoço hoje de manhã, no Norte Shopping! Pais de 1ª viagem e outros com 5 filhos e bastante experiência.

É verdade que há cada vez mais pais envolvidos, a quererem saber mais sobre o tema e a frequentarem ações. Mais do que isso: há casais a fazerem, em conjunto, sessões de coaching e aconselhamento e a virem juntos a eventos. E também é verdade que, normalmente, mais de metade das turmas é de mulheres. Isso significa que há ainda um bom caminho a percorrer nisto que é a igualdade de género. Criar oportunidades únicas onde todos se vêem no mesmo barco, riem com as mesmas situações (e riem de coisas diferentes das mães!) é uma grande grande conquista! E sei que alguns já estão a falar sobre o assunto de forma positiva!!

Por isso, foi com muita satisfação que inaugurei o espaço de Aconselhamento para pais, da Farmácia Ferreira da Silva, no Norte Shopping. Neste espaço, os pais poderão recorrer à Enfermeira Joana Melo, especialista em pediatria e com a Pós-Graduação em Parentalidade e Educação Positivas. Parabéns por este serviço tão inovador e por reunirem 20 pais que sairam entusiasmados para o tema!

Uma família de cada vez e faremos a diferença no mundo!! Positivamente!

O que acontece depois do conflito entre irmãos?

14.3.17



Sempre quis ser mãe e ter filhos com idades muito próximas, para que pudessem partilhar brincadeiras, amigos, interesses, e mais importante, para que pudessem ser amigos e cúmplices para a vida.

A verdade é que quando tinham 2, 4 e 6, os conflitos entre eles eram tão frequentes que a minha frustração e tristeza foi tomando conta do assunto, até que decidi pôr em prática todas as técnicas que utilizava enquanto Mediadora de Conflitos familiares e civis. Trouxe a profissão para dentro de casa e começámos a fazer Mediação!

Hoje em dia, aplicamos as dicas da prevenção de conflitos da Parentalidade Positiva, conjugadas com as ferramentas da Mediação, e temos miúdos que já conseguem gerir as suas "pegas" autonomamente e de uma forma "criativa"! E o melhor é saber, que nas suas relações sociais conseguem-no fazer também!

Neste workshop, vamos passar todas estas dicas e estratégias para que se possa "ultrapassar" esta fase dos conflitos de uma forma menos penosa para eles e para os pais! E são coisas tão simples!

Joana Sardinha Zino - Mãe, advogada e mediadora de conflitos

Mais infos aqui

Conflitos entre irmãos Lisboa 1 de Abril

http://www.35.kmitd7.com/w/de2beiW1eg4MlVZozP4We114267cd

Vídeos e mensagens ofensivas e que incitam ao conflito

13.3.17



Para além de ofensivos, este tipo de vídeos ou mensagens, são de elevado mau gosto, violentos, incitando até, à criação de conflitos, num movimento de antagonismo em vez de aproximação.

Não são apenas ofensivos mas também são redutores, tanto para o profissional, como para os pais (ou família). Admitir-se que se diga que a Escola ensina apenas matérias como a Matemática, o Inglês e que a família educa é, no mínimo, perigoso. 

Durante alguns anos dei formação a jovens na Cruz Vermelha Portuguesa. Alguns dos miúdos eram provenientes de famílias com grandes dificuldades, incapazes de garantir os mínimos aos filhos: afetos, alimento, formação, proteção e acompanhamento. Se estes pais não eram capazes, o meu dever, enquanto professora deles, era ajudar no processo: estando atenta, escutando, orientando e corrigindo sempre que fosse possível ou necessário. Junto dos pais quem atuava era a responsável de equipa, num trabalho sério, comprometido e rigoroso. Se nós não estivéssemos lá, quem é que estaria? Demitirmo-nos deste papel seria de uma enorme irresponsabilidade para com a criança que, sem retaguarda em casa, se viria completamente desprotegida e desapoiada.

A Escola, qualquer que ela seja [Escola, as aulas de futebol ou de ballet] tem adultos de referência para as crianças e não pode, em tempo algum, descartar a responsabilidade de ajudar a formar cidadãos. Na verdade, nem a escola, nem ninguém. Enquanto adulta, tenho o dever (e quero exercer esse dever) de ajudar no processo de educação de qualquer criança ou jovem. Seja acompanhado-a quando está em apuros, seja orientando-a quando precisa. Sobretudo quando, em casa, os seus, não são capazes de o fazer. 

É lamentável que possamos ouvir frases como 'A escola ensina e em casa educa-se'. A mão que embala o berço é a mão que governa o mundo'... e essa é a nossa mão. De todos! 

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1º encontro de Pós-Graduados em Parentalidade e Educação Positivas

10.3.17
Ontem realizámos o 1º encontro de Pós-Graduados em Parentalidade e Educação Positivas e aproveitámos para cantar os parabéns à escola, que fez 1 ano de vida!

Estavam presentes colegas de várias edições e, para muitas, foi bom conhecer as caras de quem já vimos em fotografias. Saímos todas de coração cheio, com promessas de nos voltarmos a encontrar, com o objectivo claro de continuarmos a nossa aprendizagem e de continuarmos em melhoria, continuamente. 

Na verdade, esse foi o mote deste primeiro encontro. Quando nos propomos a fazer uma Pós-Graduação como esta, há algo que é inevitável - a nossa forma de olhar para a educação e para a vida em geral altera-se e, não é possível voltarmos a vê-las como antes. Em parte, somos nós que mudamos. 

E neste processo de transformação, percebemos que temos tantas oportunidades de crescimento e de melhoria - sendo que, como sabes, a perfeição não é nunca o objectivo. Ontem ficámos a conhecer os 5 passos fundamentais para a melhoria contínua e definimos um ponto que desejamos melhorar ao longo deste mês #emmelhoriacontinua. 

Em cada um destes encontros convidamos uma das Pós-Graduadas a desenvolver e a partilhar um tema - foi o que a Joana Melo, enfermeira e especialista em cuidados pediátricos fez. A Joana falou-nos na mala das emoções, um conceito muito muito interessante e sobre o qual em breve partilharemos um texto.

Há uma energia muito positiva nestes grupos e quem está dentro sabe exatamente do que falo. União, força, alegria e camaradagem. Afinal, estamos todas juntas! Obrigada a quem veio e também a todo o grupo que se fartou de mandar mensagens boas!!! Já estamos a organizar o 2º encontro!!!

Aqui ficam algumas fotos da festa de ontem. E podes seguir mais aqui também!










A igualdade naquilo que nos falta...

8.3.17
Tive a sorte de ter algumas professores que nos fizeram ler clássicos e que nos fizeram pensar e sobretudo questionar toda a questão sobre a igualdade de género e cidadania.

Lembro-me de ler, com imenso entusiasmo o Segundo Sexo da Simone de Beauvoir, de delirar com Sartre acerca do Humanismo e de fervilhar com o debate.

Mais tarde, no final do 2º ano da Faculdade, li La domination Masculine, do Pierre Bourdieu e passei a ver a realidade de uma forma nova, que contribuiu muito para a organização das ideias, para refletir mais sobre o assunto. Sem dúvida uma leitura provocadora!

19 anos depois, o tema continua complexo e o debate... entusiasmante!



Numa entrevista a uma radio francesa, uma psicóloga dizia, hoje de manhã, que não nascemos homem ou mulher - tornamo-nos! - citando assim as palavras de Beauvoir. Para o sermos, teremos de percorrer um longo caminho, de encontro, definição e construção de identidade. Caminho esse que será invadido de mensagens desvalorizando ou fazendo referência à fraqueza do segundo sexo. Caminho esse que nos dirá que somos aquilo que nascemos e nesse corpo nos encerramos. Ou não.

Esta psicóloga explicava que este sentimento de desvalorização cola-se a nós quando nos é explicada a diferença entre os sexos, quando somos pequenos.
Os rapazes têm uma pilinha e as meninas não. Tal como dizia Bourdieu, esta ausência parece tornarmo-nos menos. E, ao mesmo tempo, torna os rapazes superiores, mesmo que, à partida, uma criança não se veja nessa condição de mais ou de menos em relação ao que a sua anatomia lhe possa traduzir.

Só que aquilo que nos esquecemos de ver é que os dois sexos são diferentes mas são diferentes na igualdade. "A igualdade naquilo que nos falta - ambos temos algo que o outro não tem", ouvia esta manhã na rádio.

É só isto e, ainda assim, continuamos a precisar de dias como os de hoje e de plataformas como As Capazes  que dão voz ao tema, insistem em lembrar, provocar e não deixar adormecer o debate.

Gostei de ler esta manhã o post da Bárbara Baldaia no Facebook 
O Dia da Mulher serve para lembrar:
- as desigualdades salariais
- os desequilíbrios parentais
- os desacertos na realização de tarefas domésticas
- os preconceitos sexistas
- a violência de género
- as mortes decorrentes da violência de género
- o casamento infantil forçado
- a mutilação genital feminina
- a desigualdade no acesso à educação
- as violações
- o sexo não consentido
- a vedação de direitos humanos fundamentais em todo o mundo.
Não serve para oferecer flores nem para levar a jantar fora nem para nos dizerem como somos belas e sensíveis.



Quando olho à minha volta, considero que o tema continua a ser importante debater, reflectir e é justamente na forma como educamos que abrimos caminho para que os dois sexos se possam definir e construir, que se encontra o caminho para a paz.

Neste dia penso muito na expressão Deuxième Sexe (o tal livro da S. Beauvoir) e, por consequência, na música dos Indochine, 3ème sexe, aqui num remake da Miss Kittin [e que deu origem a este anúncio que certamente te recordarás! - letras aqui]






MADAME NOUVEAU PARFUM JEAN PAUL GAULTIER INDOCHINE por Keristoph3

Guerras entre irmãos 3 frases que não levam a lado nenhum e 3 boas alternativas.

7.3.17



Foto: Would you Mum


A relação entre irmãos pode ser difícil, cansativa para os pais e motivo de muitas tensões, especialmente quando os miúdos são pequenos.

Ao mesmo tempo, parece que há, pelos mais diferentes motivos, a tendência de cada um dos filhos chamar para si um determinado tipo de papel - o que agride mais, a vítima, o bem disposto, o tristonho... etiquetas que nós, pais, também vamos ajudando a colar, sobretudo no momento das tensões.

'És sempre o mesmo, porque não ajudas o teu irmão!'

'Anda, defende-te! Pára de choramingar, é só isso que sabes fazer?'

'Pára de chatear o teu irmão, não vês que é pequenino?'



Em parte, estas frases são repetições daquilo que ouvimos e daquilo que acreditamos que vai ajudar. Quando dizemos és sempre o mesmo, pretendemos que o nosso filho se aperceba que aquele comportamento não pode continuar e é um convite à mudança. Contudo, e como já disse algumas vezes neste blogue, este 'és sempre o mesmo' funciona ao contrário - tira, na maior parte das vezes, a motivação e a energia da criança para mudar e fazer diferente. Na verdade, é como se reforçássemos a tal etiqueta que falei acima (e que não queremos colocar mas acabamos por fazê-lo) e, embora possamos ter a noção que o estamos a fazer, há alturas em que não sabemos fazer diferente.


Então gostava que te lembrasses desta técnica. Pede sempre ao teu filho o comportamento desejável. E como é que isso sai:


'Eu sei que tu podes ajudá-lo.'

'Eu sei que és capaz de te defender e se precisares de ajuda pede-me'

'Eu sei que queres brincar com o teu irmão e também sei que sabes fazê-lo sem irritar. '



Frases como estas não são meras frases positivas - são frases que relembram à criança aquilo que ela já sabe fazer e que nós também já tivemos a oportunidade de comprovar.


É só um lembrete... para ti e para eles.

Vem aprender mais sobre como evoluir do conflito à cooperação. É já em Abril, em Lisboa.

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