Como criar filhos resilientes e que sabem lidar com a frustração com a ajuda dos cromos da Frozen [ou outros]!

10.3.15
A Elsa! A Frozen! E os cromos da caderneta. A excitação era enorme. Ao ponto de ter organizado uma troca com a filha de uma amiga, via facetime, a um domingo à noite.

Fui buscá-la à escola no dia seguinte e a novidade do dia tinha a ver, pois claro, com os cromos que tinha conseguido trocar. Pediu-me para segurar no envelope onde os guardava, enquanto vestia o casaco.
Entrámos no carro, rumo a casa e a conversa foi em torno do dia, do semáforo que não abre, do que tinha feito no recreio.
Chegadas a casa, ela tira o cinto, lança-se em direcção ao banco da frente, agarra no saco e diz
- 'Onde está o meu envelope dos cromos?'
- 'Não sei, filha...'

Ui! Onde está o envelope? Puxámos o filme atrás: a última a tê-los tinha sido eu, enquanto ela vestia o casaco. 'Pode ser que estejam lá amanhã...' mas ela diz logo 'Não! Eu vim com eles no caminho até ao carro'. Digo-lhe 'Oh, não.... se calhar caíram ao chão, quando entraste.'

Silêncio e choro. Um choro dorido como acho que nunca tinha ouvido. Um choro que me fez sofrer também por a ver sofrer.
Mas agarrei aquele momento para a ajudar a tornar-se, pouco a pouco, mais resiliente e para a ajudar a lidar com a frustração. Deixei-a chorar e disse-lhe que sabia o quanto a Frozen é importante.

- 'Tu gostas mesmo muito da Elsa, não é? E tinhas tantos cromos para trocares, não era?'
E ela acenava com a cabeça e continuava a chorar.


Podia ter-lhe dito que não fazia mal e que eu ia tratar de providenciar mais cromos. Até podia ter dito 'Bom, não perdeste nenhum dos que não tinhas nem perdeste a caderneta, o que é um alívio!'
Mas não disse. Dizer-lhe isto seria 'salvá-la' de uma situação com grande importância para ela mas que também é uma excelente oportunidade para trabalhar aquelas características que falei acima. Ao salvá-la, iria também estar a salvar-me porque não convivo bem com a tristeza da minha filha quando, na verdade, isto nada tem a ver com a minha história e antes com a dela.

Talvez te perguntes como é que consegui fazê-lo? Primeiro, porque penso nisto em todos os momentos. Depois, porque trabalho na área. E finalmente, porque calhou. Já deixei passar outras situações seja porque não pensei, seja porque não me lembrei. Esta não deixei.



Durou cerca de 2 minutos até ela se acalmar, afastar-se e dirigir-se para a porta da garagem. Estava a digerir a situação sozinha e a começar a pensar noutra coisa.
Pedi que esperasse por mim, ia só tirar o casaco do banco do passageiro. Abri a porta. E de lá caiu ao chão um envelope cheio de cromos. Confesso que o meu coração ficou mais leve e eu só a chamei pelo nome e acenei com eles. Ai o brilhozinho nos olhos dela... :)

E ali concluí que tinha bem feito em não a ter 'salvo'! Os pequenos momentos são grandes momentos!

4 comentários:

  1. Bom dia Magda. Antevê versão ebook do livro?
    Obrigado.

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  2. Como é que algo tão simples pode ser ao mesmo tão tão brilhante!?

    Beijinho

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  3. Confesso quebcomo mãe e sendo da área também, por vezes tendo a fazer o contrario... Porque estamos cansadas, porque é mais fácil.. Mas de facto, não é de todo a melhor solução! Parabens e obrigada por me fazer pensar😉

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  4. Magda, se os cromos não tivessem caído do carro e tivessem realmente desaparecido, qual seria a sua estratégia? Diz que estava a comensar a pensar noutra coisa quando aconteceu o que a deixou mais leve... se o final tivesse sido outro o que estava a pensar fazer? Obrigada. :) Sofia Marques

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Obrigada por leres e por comentares!
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